terça-feira, 31 de julho de 2007

Crise Aérea II

Coloquei esse título nos dois posts, mas depois percebi que poderia mudar: em vez de crise aérea, o título poderia ser crise no transporte, assim já se chegava à raíz do problema, que é o transporte geral no Brasil, e não só do setor aéreo.
Como eu falei no último post, o sistema de transporte brasileiro está estruturado de uma forma completamente errada, e atrevo-me a dizer até, contraproducente. O pensamento é, na verdade, bem simples: em vez de usarmos aviões, que são um sistema de transporte caro (tanto na infra-estrutura necessária quanto na operação, além de jogar toneladas de carbono na atmosfera), deveríamos usar sistemas alternativos, como o esquecido sistema ferroviário brasileiro e o quase desconhecido sistema hidroviário. É tão simples que para estupidez usar aviões do jeito que usamos.
Se nós tivéssemos um sistema ferroviário e hidroviário de qualidade e com boa cobertura, nós nem chegaríamos ao ponto que chegamos, porque os passageiros teriam uma opção aos aviões. Por exemplo, os trens podem levar muito mais passageiros que os aviões e sua operação é mais barata. E nosso país é privilegiado em rios navegáveis. Esses poderiam ser usados para transporte de cargas, hoje feitos quase completamente por caminhões.
Tudo bem, talvez nossos aeroportos tenham ficado muito tempo sem melhorias, e talvez a crise atual seja "quase" inevitável, mas mesmo assim, esses sistemas supririam o fluxo de passageiros dos aeroportos, aliviando o tráfego aéreo e, por conseqüência, deixando o espaço aéreo mais seguro.
Resumindo, o nosso sistema de transporte está errado. Deveria se investir em trens e hidrovias, além de nossas velhas conhecidas rodovias, mas principalmente nas duas primeiras, tornando-as sistemas de transporte de passageiros de base, não de apoio. Assim, o tráfego aéreo diminuiria, e seria usado para viagens de emergência, de longa distância ou que precise de rapidez, mas, as grandes empresas de aviação preferem ver um caos na aviação e acidentes com centenas de mortes do que perder seu lucro astronômico.
Mas, se de um lado temos as empresas de aviação que não querem que o sistema mude, do outro lado temos um governo que também não dá a devida atenção e esse assunto. Vá no site do ministério dos transportes e confira: nenhum projeto sobre ferrovias está sequer tramitando em Brasília, e as hidrovias então, coitadinhas! Ah, mas por outro lado, olhe lá, projetos de aeroportos e rodovias é o que não falta. Estamos andando na marcha ré, de novo. Todos os outros países investem primeiro nas ferrovias e depois nos aeroportos. Até quando vamos ficar pra trás, sofrendo com o desdém da iniciativa privada e do governo, que só agora, depois de dois graves acidentes com aviões, se lembrou que existe um sistema de transporte revolucionário, criado em 1814 pelo inglês George Stephenson, chamado trem...

Continuemos esperando...

Paz e Amor.

Caio

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